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28 de jun. de 2008

Paulinho Tapajós no SESC

Tive o prazer de conversar com Paulinho Tapajós, que nos deu uma entrevista seguidas de risos e muita lembrança de épocas da Bossa Nova.

- Tendência Alternativa: A influência que o senhor recebeu do seu pai, Paulo Tapajós que foi diretor musical da Rádio Nacional, foi fundamental para sua carreira?

Paulinho Tapajós: “Minha infância foi dentro da Radio Nacional ouvindo aqueles artistas todos da época, Emilinha Borba, Jorge Goulart, Trio Irakitan, Trio Farroupilha, Luis Gonzaga, tudo que era feita na Musica Popular Brasileira passava pela Rádio Nacional. Meu pai fazia também os cantos das dublagens da Disney, do Grilo Falante, do Príncipe da Branca de Neve, tudo que tive de informação na infância devo a meu pai.”

T.A: Como o senhor fazia para compor na época da Recessão, onde a produção era limitada?

P.T: “Fazia como todos faziam para aqueles que tinham alguma preocupação em dizer alguma coisa que não podia falar, agente fazia como todos faziam criava uma metáfora.”

T.A: Chegou a ser preso?

P.T: “Uma vez apenas, por uma contingência diferente, eu estava indo a Brasília de avião para a votação de direito autoral, e alguém escreveu uma ameaça na imprensa, e como eu era o único que estava de calça jeans e cabeludo, fui preso, mas nada ficou comprovado. Mas não foi por nenhum ato de agressão ao sistema. Embora estudasse arquitetura, sempre engajado em alguma coisa, não tinha nada a ver.”

T.A: A Bossa Nova fez 50 anos, o senhor acha justo lembrar-mos apenas de Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Toquinho quando falamos em Bossa Nova?

P.T: “Não, acho até que o Toquinho não é muito lembrado, os três ícones da Bossa Nova, que são sempre lembrados, com muita justiça, Tom, Vinícius e João Gilberto, foram as fundações da Bossa Nova. João Gilberto principalmente foi quem criou a batida da Bossa Nova, Tom e Vinícius por toda a criação que eles fizeram, por toda obra que fizeram que é o alicerce da Bossa Nova. Toquinho não tem muita relação com a Bossa Nova, ele chegou para fazer parceria com Vinicius depois, fazendo samba. Tem Carlos Lyra, Menescal, Nara Leão, Wanda Sá, Durval Ferreira que criou uma batida diferente para bossa nova. Esse povo sim, tem uma ligação muito maior que Toquinho.”

T.A: Qual a música que mais marcou sua carreira?

P.T: “Andança: agente tinha ido pra Porto Alegre, eu e Danilo (Caymi), os três parceiros musicais meu são Danilo Caymi e Edmundo Souto, que não foi pra Porto Alegre, embora a música que foi cantada lá, era dele também. Então quando chegamos ao aeroporto aqui no Rio, Edmundo foi receber agente no aeroporto e falou que tava iniciando uma música que estava iniciando uma música e queria que agente fosse para a casa da Beth Carvalho, que também tinha ido para porto alegre, um festival que era o Festival Universitário Brasileiro, eu tinha cinco músicas e a Beth defendeu duas. Então fomos para a casa da Beth. Eu não podia ficar lá por causa de provas de faculdade e eu não vi como eles compuseram a música. Imagino que a primeira parte foi do Edmundo e o contra canto era do Danilo, pois foi feita na flauta. Quando acabaram, me mandaram uma fita, me pediram para fazer a letra. Nessa época era uma época que eu lia muito Guimarães Rosa. Portanto eu acho que tinha muita influência dele no palavreado na criação do titulo da música, que é Andança, e não andanças, como está no dicionário. Andança não tem no dicionário realmente.”

T.A: O senhor vinha muito aqui para Teresópolis? O senhor já compôs alguma música aqui em Teresópolis?

P.T: “Sim, freqüentava muito a cidade quando era criança, meu tio falecido Oswaldo Tapajós irmão do meu pai, era o terceiro tio, mas tio Oswaldo abandonou, porque já estava na idade de mudar de voa. E ele criou um Sallon aqui no Parque Imbuí, eu estive muito ali, e também na casa do tio Oswaldo. Joguei muita bola no time do Parque Imbuí. Eu acho que não compus nada aqui em Teresópolis. Minha fase de Teresópolis era uma fase de adolescência. Comecei a compor mais profissionalmente com 18 19 anos. Pode ser ate que eu tenha feito alguma coisa com meu irmão Maurício Tapajós falecido também que é autor de ‘Tô voltando’ etc, pode ser que eu tenha feito alguma coisa por aqui sim.”

T.A: Qual é a grande revelação da MPB hoje no Brasil?

P.T: “Eu gosto de muita gente, que ainda está escondida. Quem a mídia pegou e bastante, foi a Maria Rita, gosto muito dela.”


Abaixo as fotos do show que realizou no Teatro do SESC Teresópolis:



Público lota o Tearto do SESC em noite fria para ver Paulinho Tapajós

Médico pediatra Cláudio Fonseca e esposa

Paulinho Tapajós e Marcello Lessa cantando e encantando o público

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